sábado, 29 de abril de 2017

VIRGÍNIA



Ana Rocha: Quem é a Virgínia? Pessoa ou marca?
Virgínia: Não é (só) uma marca. Lembro-me de ficar fascinada com os carrinhos de sobremesas dos restaurantes dos anos sessenta, quando tinha que decidir o que queria pedir. A escolha era difícil!, mas no final ganhava sempre o bolo de chocolate… (Risos). Lembro-me também de que gostava de fazer bolos, e de cozinhar em geral. Que ritual mágico! Eu via programas de culinária com um interesse velado e retirava as receitas de onde podia mas acabaria, mais tarde, por enveredar pelo mundo da moda. A culinária e a pastelaria ficaram ligadas à casa e à família até ao dia em que decidi fazer uma troca. A minha bagagem como designer de moda – durante 15 anos – ajudou-me a criar uma estética própria. Ajudou-me, também, a gerir a pesquisa necessária para fazer as minhas próprias criações.



A.R.: Como caracteriza a transição do estilismo para a pastelaria?
V.: Transição lenta até decidir que é altura de mudar. Eu tinha economias – tinha dinheiro para viver um ano ou dois sem me preocupar com o salário – e, um dia, fechei-me em casa a fazer bolos para um catálogo. Comecei a oferecer caixinhas com amostras e conquistei logo alguns clientes, para além dos meus sobrinhos e dos filhos das minhas amigas, sempre bafejados com experiências. A coisa começa a ir de boca em boca e faço uma carteira de clientes em dois ou três anos. Lentamente, começo a deixar uma coisa e a fazer outra. É nesta altura que abro a Virgínia, aqui; quando a coisa toma uma proporção séria. 
A.R.: O que define a estética própria e as criações? 
V: O meu marketing é a minha qualidade. Não gosto de trabalhar virtualmente: gosto de ter um objectivo, um propósito. A relação directa que estabeleço com os clientes é a minha (outra) fonte de inspiração. Gosto de conhecer para quem estou a trabalhar. Os meus trabalhos nascem das ideias que fluem entre mim e os clientes. E trabalho hoje com a mesma dedicação de há dez anos atrás, quando estava a começar.



A.R.: Formação em pastelaria, tem?
V.: Não tenho. O que sei aprendi (maioritariamente) em livros. Há, ainda, muito por descobrir. Eu costumo dizer que se não estivesse ocupada a fazer bolos ia aprender a fazer bolos.
A.R.: Aconselharia alguém a investir em negócio próprio?
V.: Aos que procuram por liberdade... Sim! É uma liberdade relativa, mas aconselharia, em qualquer área. As coisas não precisam de ser muito difíceis para terem valor. Lembro é que trabalho é trabalho e, se assim não fosse, chamar-lhe-íamos não trabalho mas outra coisa qualquer.
A.R.: É pessoa profissionalmente realizada?
V.: Sim: consegui mais do que alguma vez imaginei. O segredo talvez esteja em começar todos os dias como se fosse o primeiro.
A.R.: Que mensagem para os leitores?
V.: Tomem a decisão de escolher os vossos sonhos e de acreditar. É (sempre) preciso acreditar. Também é preciso ter um foco, um objetivo específico, e a capacidade de encarar a realidade do possível – do que está ao nosso alcance – conhecendo aquilo de que somos capazes. É preciso fazer uma fusão entre o sonho e a realidade. E a realidade está aqui: há sempre algo que conseguimos fazer bem.


Rua de Ceuta, 73
4051-191, Porto
917831744
(Informações e marcações por telemóvel)


segunda-feira, 10 de abril de 2017

EAT THE RAINBOW



“Fifty percent of the brain is dedicated to vision.
How you look plays a large role in how you feel. Both matter to your success at work and in your relationships. It is not just vanity, it is about health. To look and feel at your best, you must first think about and optimize your brain.”
Dr. Daniel G. Amen


Esta aqui, na fotografia, sou eu. Estamos em Novembro de 2010, eu sou caloira de Ciências da Comunicação – Universidade do Minho, Braga – e tenho dezoito anos. Em mim vive o sonho de ser escritora. Em mim vive, também, o sentimento de derrota antecipada.
Quem quer que tenha passado pela experiência da adolescência sabe que a estória é (quase sempre) mais ou menos assim: para uns, uma etapa de vida que é sucesso, para outros, um nada. O que eu quero fazer aqui é dar-vos a conhecer o nada que a adolescência foi para mim.
Conheci-o quando tinha catorze anos. Ao meu primeiro namorado. Namoramos menos de dois meses mas eu tinha imprimido tantas expectativas naquela relação – agora visivelmente goradas – que, quando a relação terminou, eu decidi de esperar por ele. Eu não sabia que eu não podia parar a minha vida para esperar pelos outros e desejar que isso contasse como amor. Então eu esperei. Esperei o Ensino Básico, o Secundário e (parte do) Universitário. Perdi 20kg. Perdi cabelo. Fiquei com um distúrbio alimentar. Recuperei (quase) a totalidade do peso. Fiquei sem roupa para vestir. Perdi amigas. Perdi-me a mim. Perdi-o a ele.
Esta aqui, na fotografia, sou eu. Estamos em Novembro de 2010. Eu meço 1m60cm e peso (mais de) 70kg. Não uso maquilhagem. Tenho insónias. Sou uma devota da procrastinação*.
* Inscrita na Escola de Condução: sem carta. Inscrita no ginásio: sem treinar. Inscrita Universidade do Minho: sem licenciatura.


Comecei a falar com a Priscilla em Setembro desse ano. Palestrante, jornalista, psicóloga e coach, a Priscilla de Sá reúne um conhecimento profundo acerca do comportamento feminino e, com ela, eu senti-me segura, aceite, compreendida, livre.
Esta aqui, seis anos depois, sou eu. Certificada em Coaching. Licenciada em Ciências da Comunicação. Colunista da Liderança Feminina. Copywriter da Miminhos Rita Catita. Blogger. Insónias?! Com maquilhagem. 1m60cm – 58kg. Ginásio. A frequentar o Mestrado Integrado em Psicologia. Com carta de condução.
Seis anos e aquela ali, naquela fotografia, sou eu. Seis meses e aquela ali, naquela fotografia, sou eu. Quem sou? Uma storyteller: às pessoas e às organizações eu conto estórias e, com essas estórias, elas podem, como as estrelas, enfim brilhar.