quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

SPIRITO CUPCAKES & COFFEE



 “Ficamos sempre contentes por ser comparados a marcas como o Starbucks e o Costa. Podemos ser comparados pelas bebidas de café – a nossa oferta é parecida com a oferta que eles trazem – mas a Spirito tem dois acrescentos. O primeiro: o gelado artesanal. O segundo: a confecção. Tudo é feito por nós. Tudo é feito no dia. Todos os dias.
A Spirito tem os três eixos com a máxima qualidade.”


Ana Rocha: São sete da manhã. Onde vou buscar o café?
Nuno Freitas: Esse horário não é compatível com o horário do produto fresco de pastelaria, confecionado na própria pastelaria, uma vez que implica a produção em horário noturno e a Spirito não o defende: queremos pessoas felizes, contentes e com boa disposição. Para além disso, sentimos também que o nosso produto não é um produto de pequeno-almoço tradicional português – ao que chamamos o pequeno-almoço de primeira hora –, para o qual já existe oferta.
A.R.: O pequeno-almoço de primeira hora, na Spirito, nunca vai fazer parte da oferta?
N.F.: Nunca. Não temos um produto alinhado com esse horário, pelo que o nosso formato é outro.  Em hipótese deixamos o pequeno-almoço de segunda hora, a meio da manhã. Aqui aparecem  croissants (diferenciados), muffins e brownies e isso, provavelmente, nesta loja, já vai acontecer.



A.R.: Nesta loja, porque a primeira abriu em Braga…
N.F.: Braga, Guimarães e Porto. A Spirito Guimarães e a Spirito Porto eram, na altura, duas lojas franchisadas que, por não funcionarem como queríamos, vimo-nos obrigados a fechar. Há outra, sazonal, em Matosinhos. Essa está fechada durante o Inverno – abrirá, novamente, no próximo verão. Neste momento, estamos a estudar a possibilidade de, durante o Inverno, a abrir numa universidade – quiçá Universidade do Porto, quiçá Universidade do Minho. Portanto: meio ano em ambiente universitário, meio ano em ambiente de praia.
A.R.: O que é que correu mal com o franchising?
N.F.: Podemos falar sobre isso. Acredito que, nesses casos, o melhor é mesmo assumir – por muito mau para que possa ser para a marca (fechar lojas), porque… é! A Spirito tentou negociar com os franchisados, por forma a manter as lojas abertas: propôs-se a manter a equipe e a assumir todos os encargos da loja. Infelizmente, não aconteceu. Não conseguimos chegar a um acordo. O que correu mal foi, sobretudo, o facto de tentarem sacrificar o que é característico da marca em prol de objetivos financeiros. O conceito Spirito não tem que ver com dinheiro, tem que ver com o construir de algo. A Spirito é uma experiência. O nível de exigência – a qualidade do produto, o atendimento ao cliente, a construção do conceito – não se pode desconstruir à custa de coisas que são características da marca.
A.R.: A Spirito Porto era diferente da Spirito Braga…
N.F.: Sim. Nós não queremos isso. Queremos que as pessoas trabalhem aqui porque gostam de trabalhar aqui; queremos garantir que a forma como tratamos as pessoas é a forma como gostaríamos de ser tratados; queremos que as pessoas gostem de trabalhar; isso é construir algo. E há pessoas, aqui, que são muito importantes, mesmo que não nos acompanhem desde a altura da fundação. O Marco, por exemplo – um dos baristas de Braga – é uma pessoa cuja presença é fundamental, em todos os passos.



A.R.: Como constroem a experiência para os baristas?
N.F.: A equipe partilha um ambiente familiar, informal. Não há, por exemplo, um produto que seja exposto em loja sem que todos os empregados o tenham provado. Na Spirito, nós envolvemos a equipe naquilo que fazemos, e isso torna a experiência mais especial. Às vezes é preciso dizer que o cliente não tem razão – porque às vezes, efetivamente, não tem. E reconhecer isso protege quem trabalha connosco. Isso é trabalho em equipe. A equipe está em primeiro lugar.
A.R.: Quantos compõe, atualmente, a equipe?
N.F.: Atualmente são 26 pessoas.
A.R.: Há perspetivas de abrir a Spirito em mais cidades do país, durante o ano?
N.F.: Há a possibilidade de abrir em Lisboa mas, neste momento, estamos focados no Porto.
A.R.: A Spirito Porto não é franchising?
N.F.: Não, não há mais franchising na Spirito. A experiência foi suficiente. Decidimos ser mais cautelosos. Pode acontecer que se estabeleçam parcerias internacionais – estamos a estudar algumas – mas, em Portugal, só vão existir lojas próprias. Isso é garantido.
A.R.: A pastelaria varia diariamente?
N.F.: Há produtos que são clássicos – o brownie, o red velvet e o (algum sabor de) cheesecake – e há, também, variações. A Spirito quer surpreender o cliente. As pessoas estão tão cansadas de tudo o que as rodeia. Ao entrar aqui, devem ficar surpresas. A Spirito é uma experiência, não é (só) o produto.  E é por isso que, nesta loja, vamos lançar também um novo conceito. O Sweet Room. Uma vez por mês, vamos convidar um chefe de pastelaria – um dos melhores, português e/ou internacional – e vamos servir uma degustação de sobremesas. De momento, estamos a acordar datas. Vamos investir, naturalmente, sem perspetivas de lucro imediato. O custo não é compensado pela receita do dia, mas é um evento inovador em Portugal.
A.R.: Como é que surgiu essa ideia?
N.F.: Diz-se que os grandes chefes, em Portugal, são muito fechados. Nós queremos mudar isso.
A.R.: De que forma molda o Porto a experiência Spirito?
N.F.: O Porto é uma cidade com muito tráfego e, porque tem mais turistas, permite-nos expandir internacionalmente. Para além disso, esta loja representa uma evolução da marca. A cada cinco anos, a Spirito sofre reformulações de imagem, e esta loja é o resultado disso.



A.R.: Merchandising: sim ou não?
N.F.: Estamos focados em entrar em áreas de merchandising, dentro do nosso target. Para nós é estranho, aliás, referirmo-nos à Spirito exclusivamente como pastelaria.
A.R.: O que é a Spirito, então?
N.F.: A Spirito é… Spirito. Não há um outro conceito que a defina. E, se calhar, esse é um dos segredos: não nos encerramos numa baliza.



A.R.: Que acção devem os leitores tomar?
N.F.: Desafiem-nos. Sempre.



Praça Gomes Teixeira, 36
4050-290, Porto
mail@spiritocupcakes.com

Fotografia: Eliesley Soares

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