domingo, 4 de março de 2018

TIME OUT PORTO: O MEU TOM DE VERMELHO



Iniciei, pessoalmente, a conversa com a Mariana Morais Pinheiro – a jornalista da Time Out Porto que me convidou, pelo Instagram, para uma entrevista para a edição impressa –  a contar-lhe como sonhava com ser escritora e como o ingresso em Ciências da Comunicação, na Universidade do Minho, muitos anos mais tarde, se revelaria como uma adaptação às exigências da vida adulta. Durante esse percurso, eu descobri que o exercício do Jornalismo não me satisfazia pessoal e profissionalmente e, foi então que, num rasgo de sorte, comecei a falar com a Priscilla de Sá: a jornalista, coach e psicóloga brasileira que ajuda mulheres a conquistarem as suas carreiras de sonho. Numa altura em que a minha vida era desorganizada e em que eu representava o mundo como um lugar mau, a Priscilla ajudou-me a construir uma perspectiva optimista sobre a vida e a tomar a decisão – e o comprometimento! – de terminar a licenciatura em Ciências da Comunicação para, depois disso, ingressar no Mestrado Integrado em Psicologia. A diferença entre as duas profissões? É que as palavras, em Comunicação, informam mas, em Psicologia?, em Psicologia as palavras transformam! Então, eu não desisti do sonho de ser escritora: eu ajudo pessoas a construírem as narrativas que vão empoderar as suas vidas. 
 
Aqui estão (alguns) excertos da Time Out Porto:

1.    Ana traz o Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, debaixo do braço. Senta-se na esplanada e dá um jeito ao cabelo, comprido e escuro, antes de começar a falar com um desembaraço fora do comum. “Eu gosto muito de escrever e quando era mais nova queria ser escritora. Acabei, por isso, por ir para Jornalismo na Universidade do Minho. Mas, durante o curso, descobri que também gostava muito de Psicologia”, conta a blogger, autora do the-orange-letter.blogspot.pt, onde tanto entrevista chefs como designers.

2.    Com mais de 4000 seguidores no Instagram, Ana, a estudar Psicologia no Porto, admite que esta área lhe tem sido útil durante as entrevistas. “Aplico algumas técnicas e as pessoas ficam muito mais comunicativas.”

3.    “É o Ruby Woo da MAC e é um bestseller. Um batom vermelho nem sempre fica bem a toda a gente, mas este assenta em quase todos os tipos de pele. É preciso coragem para o usar e o vermelho é a cor da coragem.”

Esta é a minha opinião:

1.    Este excerto e parte do segundo são imprecisos quanto à minha formação. A Universidade do Minho não tem um curso de Jornalismo e eu não frequentei Jornalismo na Universidade do Minho. Eu frequentei Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. Eu sou licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e frequento o Mestrado Integrado em Psicologia da Universidade do Porto [FPCEUP - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto].

2.    O que aqui fica implícito é que eu uso técnicas de Psicologia para arrancar informação aos entrevistados e isto, inclusivamente, tem implicações éticas. Futuros entrevistados vão sentir-se desconfortáveis e profissionais de Psicologia vão insurgir-se contra mim, porque a Psicologia não é para isto. Se a Psicologia me ajuda em alguma coisa, no momento da entrevista, é a respeitar a subjectividade do entrevistado e a não deixar que a minha subjectividade fale mais alto do que o que ele declarou. Por isso é que eu submeto todas as entrevistas à percepção dos entrevistados antes de as publicar - porque isto é fundamental para eu não ter que me explicar para o resto da vida.

3.    Toda a mulher tem um vermelho que fica bem com ela - porque há um tom de vermelho para cada mulher. A dificuldade está em encontrar um tom de vermelho que assente bem generalizadamente. Esse é um desafio dos maquiadores e essa é a razão pela qual eu disse que o Ruby Woo da Mac é um best-seller. Então, não é o vermelho que não fica bem, é o tom, porque toda a mulher tem um vermelho - um tom de vermelho - que (lhe) fica bem.

Desiludida com o que aqui se apresenta, enviei um e-mail à Mariana Morais Pinheiro, com conhecimento da directora da revista Time Out Porto, Sara Sanz Pinto, a exigir direito de resposta. Escrevi que me parece necessária uma reparação porque esta entrevista é injusta, diminui quem eu sou e não faz jus à minha formação, nem às motivações pelas quais eu tomei estas opções profissionais. Escrevi, também, que me parece necessária uma restauração da verdade com uma nova entrevista ou com a reformulação desta entrevista. A jornalista Mariana Morais Pinheiro e a directora da revista Sara Sanz Pinto, Time Out Porto, não atenderam ao direito de resposta – previsto no Código Deontológico do Jornalista – e deram o caso por encerrado.
Se alguma vez olhei para trás e questionei o meu percurso profissional, desta vez, com este acontecimento, eu coloquei um epitáfio sobre o túmulo. Afinal, ainda que de modo independente e sem carteira profissional, o meu exercício é mais sério e mais verdadeiro para com o entrevistado e para com o leitor. 
É uma lição de vida: os profissionais de comunicação têm que redobrar o cuidado que têm com a imagem dos outros e este episódio reforçou o cuidado que eu tenho quando vou entrevistar alguém. 
Esta publicação surge como a intenção, independente, de exercer o direito de resposta.

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